Foto: Eliana Nasicmento/G1 AM

A oficina “Imprensa no Combate à Xenofobia Contra Refugiados e Migrantes” foi realizada na manhã desta segunda-feira (17), na Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam), e contou com a participação de jornalistas que atuam no Amazonas. O objetivo central do encontra era promover a capacitação para a imprensa local que atua diretamente na cobertura do projeto de interiorização e imigração dos venezuelanos no estado.

“Nosso objetivo com essa rede não é vir aqui e criar políticas, é capacitar as pessoas locais para que essas políticas sejam criadas e elaboradas porque, no fim das contas, na ponta, são os municípios e os estados os responsáveis por receber essas populações”, ressalta Leonardo Medeiros, coordenador de comunicação da Conectas Direitos Humanos.

De acordo Medeiros, uma pauta citando um cidadão venezuelano relacionado com algum crime é capaz de criar uma assimilação de que eles – venezuelanos – são inimigos da população brasileira.

“A gente pede uma reflexão sobre o impacto dessas pautas. Existem muitas histórias. Não é que a partir de agora os jornalistas não podem fazer uma matéria sobre eventualmente um crime cometido por um cidadão venezuelano, mas o que a gente tem que fazer é, parar pra pensar na imagem e na narrativa do que a gente tá construindo de uma população que está chegando pra gente em extrema situação de fragilidade e vulnerabilidade social. O quanto que uma pauta como essa pode criar uma percepção de que todos os venezuelanos são inimigos. A gente precisa se questionar, pensar também nas possibilidades positivas que uma migração pode trazer. Trazer outras narrativas e outras possibilidades”, explica.

Além disso, foi esclarecido durante a oficina, a nova Lei de Migração (Lei. 13.445/17), comparada ao Estatuto do estrangeiro.

“Já existe uma nova lei de migração. Aí existe um desconhecimento sobre o que implica essa nova lei de migração. Há um decreto presidencial que regulamenta a nova lei de migração. Agora o que é importante, é que a partir dessa nova lei federal, os municípios e os estados criem essas políticas e desenvolvam essas políticas para colher os migrantes”, disse.

O papel da mídia no combate à xenofobia tem uma função muito impactante, reitera.

“Da nossa perspectiva, a mídia é importantíssima no combate à xenofobia, que é algo descriminalizado pela nossa constituição e pelo código de ética jornalística. Então, o que a gente vem propor são reflexões para os membros da imprensa local pararem para pensar nesse tipo de pauta. O quanto que ela é válida. Quanto que ela pode impactar a vida de populações”, finaliza.

Fonte: G1 Amazonas