Montagem que abriu o 21º Festival Amazonas de Ópera (FAO) será reapresentada nos dias 4 e 6 de maio no Teatro Amazonas

Em busca da perfeição para as apresentações de “Faust”, ópera cantada em francês e que conta a história do Dr. Faust, que faz um pacto com o diabo Mephistopheles para voltar à juventude e conquistar o amor da encantadora Marguerite, o Coral do Amazonas, único Corpo Artístico da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) a participar de todas as edições do Festival Amazonas de Ópera (FAO), teve o acompanhamento de um professor francês para alcançar a pronúncia correta do idioma.

O FAO 2018 é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio do Bradesco Prime – que celebra 10 anos de parceria com o festival –, incentivo do Ministério da Cultura (Minc) por meio da Lei Rouanet; além do apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e da Aliança Francesa.

As aulas de preparação foram resultado de uma parceria da SEC com a Aliança Francesa que designou o professor Mathieu Bocher para a missão. Mathieu, que mora em Manaus desde 2013, diz que o trabalho com o Coral foi focado na fonética.

“Trabalhamos, principalmente, a fonética, focamos em corrigir as falas. Assisti aos ensaios e passei os trechos com o coral, eu lia o texto e eles repetiam reproduzindo corretamente o francês”, comenta.

Mathieu conta que a maior dificuldade foi afinar os sons que são próprios da língua francesa.

“Existem sons particulares do francês que não têm no português. Para acertar esses sons, trabalhamos repetição. A dificuldade maior é que alguns sons, quando falados todos juntos, destacam os ‘vícios’ da língua materna, o sotaque do português que se sobrepõe, mas trabalhamos para amenizar isso e eles conseguiram”, conta.

O professor afirma que o trabalho com o coro também foi um desafio para ele. “Foi uma experiência nova para mim e adorei fazer. Estudei música quando criança, isso é bem comum na França. Fiz saxofone, guitarra e um pouco de piano, mas de canto, teoria musical sei bem pouco”, comenta Mathieu que também assistirá, pela primeira vez, o Festival de Ópera. “Ainda não tive a oportunidade de assistir. Estou bem animado”.

Regente do Coral do Amazonas, o maestro Otávio Simões destaca que contar com a ajuda de um nativo é indispensável, mesmo para quem tem conhecimento ou fluência no idioma.

“O coro tem experiência em cantar em vários idiomas, especialmente italiano, inglês, alemão e francês que são as línguas principais no mundo da ópera. Eles têm facilidade em aprender rápido, mas ter um nativo explicando detalhes da pronúncia faz uma grande diferença”, afirma.

O maestro ressalta ainda que o resultado dessa consultoria foi bastante satisfatório e que o coro está afinadíssimo.

“Durante o acompanhamento, passávamos os trechos e parávamos para ouvir as observações do Mathieu e então nós repetíamos até ele, como francês, entender com perfeição as frases que o coro estava cantando”, comenta Simões.

Além dos ensaios do coral, o professor também acompanhou os ensaios em conjunto – com coro, orquestra e solistas – para fazer a manutenção do sotaque e fazer ajustes necessários a fim de não perder nenhum detalhe.

Qualificação – Integrante do Coral do Amazonas há 19 anos, Rosimeire Vieira vê a iniciativa como uma oportunidade de qualificação. “Essa preparação foi muito importante. “Estou há quase 20 anos no Coral cantando em outros idiomas e nunca nós havíamos tido a oportunidade de ter aulas para obter o sotaque correto”, comenta. “Aprender as técnicas e os macetes para pronunciar corretamente os sons específicos da língua para saber direcionar o som da boca nos ajudou muito. Aprendi até fazer o biquinho francês”, brinca Rosimeire.

Patrícia Rebouças, que também está há quase 20 anos no Coral, destaca que o cuidado com os detalhes enriquece a apresentação.

“Ter esse acompanhamento do Mathieu ajudou a diminuir os vícios e afinar a pronúncia. Melhoramos a pronúncia das sílabas, aprendemos quando se fala um E aberto, um E fechado; aprendemos a ler o E com os acentos e quando pronunciar o acento agudo ou grave. Isso enriquece o nosso trabalho”, pontua.

‘Faust’ – Ópera do francês Charles Gounod conta a história do Doutor Faust que vende a alma para o diabo Mephistopheles, na tentativa de voltar à juventude e conquistar o amor de Marguerite. A ópera conta com um elenco internacional formado pela soprano francesa Isabelle Sabrié (Marguerite), o tenor italiano Alessandro Luciano (Faust), o baixo-barítono cubano Homero Perez (Mephistopheles), o barítono uruguaio Marcelo Guzzo (Valentin), a mezzo-soprano espanhola Anna Gomà (Siebel); e os amazonenses Thalita Azevedo, mezzo-soprano que interpreta Marthe, e Joubert Junior, barítono que faz Wagner.

Serviço: Reapresentações da ópera ‘Faust’
Data/hora: 4 de maio, sexta-feira, às 20h; e 6 de maio, domingo, às 19h
Local: Teatro Amazonas
Entrada: Os ingressos variam de R$ 5 a R$ 60 e estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.aloingressos.com.br

FOTOS: MICHAEL DANTAS/SEC