O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse ontem (11) que o país está pronto para “brigar” com os Estados Unidos. Segundo ele, a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de sair do acordo nuclear com o Irã é “um erro que terá consequências graves em longo prazo”.

O presidente Donald Trump se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, em abril, para discutir o pacto com o Irã. No entanto, nem Merkel nem outros líderes conseguiram convencer o magnata a não sair do acordo.

“Devemos, infelizmente, reconhecer que, da parte dos EUA, não há disponibilidade alguma para levar a sério argumentos de seus aliados”, disse. “As mudanças em curso no país norte-americano alteraram as relações transatlânticas há tempos. Estamos prontos para dialogar e discutir sobre o tratado, mas, se necessário, brigaremos por nossas posições”, concluiu.

A Alemanha é um dos países que defendem uma nova discussão em torno do programa nuclear do país persa, mas acredita que os termos do texto atual estão sendo respeitados.

O “Plano de Ação Conjunta Global” (JCPOA, na sigla em inglês) foi assinado em 2015 e também envolveu Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia, além da União Europeia.

Durante os últimos dias, o presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o secretário britânico de Relações Exteriores, Boris Johnson, viajaram a Washington para tentar demover Trump, sem sucesso.

“França, Alemanha e Reino Unido lamentam a decisão americana de sair do acordo nuclear iraniano. Está em jogo o regime internacional de não-proliferação nuclear”, escreveu Macron no Twitter. Já a alta representante da UE para Política Externa, a italiana Federica Mogherini, disse que o bloco está determinado a “preservar” o pacto.

“Ao povo iraniano, digo: não deixem que o desmantelem, é um dos maiores sucessos alcançados pela comunidade internacional”, disse a chanceler europeia. “O acordo com o Irã deve ser mantido. Contribui para a segurança na região e freia a proliferação nuclear”, criticou o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni.

O tratado prevê a eliminação dos bloqueios impostos à economia iraniana nos últimos anos. Em troca, o país persa se comprometeu a limitar suas atividades atômicas, incluindo a interrupção do enriquecimento de urânio na usina de Fordow e a redução de suas centrífugas, que passarão de 19 mil para 6,1 mil em 10 anos.

Além disso, Teerã aceitou permitir a realização de inspeções periódicas por parte da Organização das Nações Unidas (ONU) em suas instalações.

A saída do acordo nuclear atende ainda aos interesses dos dois principais aliados dos EUA no Oriente Médio: a Arábia Saudita, liderada por uma rígida monarquia sunita e antagonista do Irã em conflitos na região; e Israel, cuja existência não é reconhecida pelo regime dos aiatolás.

“Apreciamos muito a decisão de Donald Trump. Se continuasse em vigor, o Irã teria bombas nucleares dentro de alguns anos”, comemorou Netanyahu, chamando a retirada de “corajosa e correta”.

* Com informações da Ansa