Iranduba: Com R$ 3,5 milhões prometidos, asfaltamento no Alto de Nazaré é paralisado e empresa retira máquinas
Moradores do Bairro Alto de Nazaré, em Iranduba, voltaram a denunciar esta semana o abandono e a paralisação das obras de asfaltamento e da reforma da quadra esportiva da comunidade. O que era para ser um pacote de melhorias anunciado pelo próprio prefeito Augusto Ferraz há mais de 40 dias virou poeira, buracos doenças e transtorno.
Segundo Ferraz, a prefeitura já teria garantido mais de R$ 3,5 milhões disponíveis para asfaltar todas as ruas e reformar a quadra esportiva do bairro. O prazo de entrega seria de 90 dias. A realidade, 40 dias depois, é diferente. As máquinas chegaram, as ruas foram abertas, mas as obras pararam e segundo os moradores, a empresa responsável retirou equipamentos e material do local por falta de pagamento.
PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS
A situação piora em locais como o cruzamento das ruas K e Rua Beira Rio, no Alto de Nazaré, área que foi batizada pela população como “Buraco do Ferraz”, onde além das ruas cheias de poeira, os canos quebrados e buracos tomam conta e nõa permitem sequer a passagem de veículos.
“A promessa era que ia asfaltar tudo, mas mexeram nas ruas e deixaram assim. A poeira toma conta poeira e o povo não pode ficar calado”, desabafa a moradora Simone.
O drama se repete com D. Magnólia, uma das fundadoras do bairro. “Quando surgiu o pacote de obras foi uma alegria. Já sou de idade, mas todo mundo aqui acorda com falta de ar. As casas estão tomadas pela poeira. Fiz fisioterapia porque quase não consigo dormir, mas quando querem voto, apertam nossa mão e depois de eleito somem”, disse.
Ela relata ainda problemas de saúde agravados pela poeira: asma, crise alérgica e dificuldades respiratórias, principalmente em crianças e idosos. Para tentar amenizar, a própria população tem que jogar água na rua todos os dias.
QUADRA ESPORTIVA PARADA
Além das ruas, a quadra esportiva na avenida Amazonino Mendes, principal espaço de lazer para jovens e crianças do bairro, também teve a reforma iniciada e paralisada. “Começaram a obra e parou porque o pagamento não foi repassado para empresa. A população quer entender: cadê a candidata a deputada estadual ou será que a quadra só sai se ela for eleita?”, questionou um morador.
A revolta aumenta com a proximidade das eleições. Moradores denunciam – em forma de suspeita e cobrança – que os recursos destinados para as obras teriam sido usados para a campanha da esposa do prefeito, Luana Ferraz, candidata a deputada estadual.
A promessa, segundo eles, era de transparência e credibilidade. Mas o que ficou foi a frustração e o medo de cobrar. “O povo não pode ter medo não. A gente precisa falar, precisa cobrar as autoridades. Isso aqui está dificultando a vida da população toda”, finalizou Magnólia.

