“Temos rios navegáveis, não hidrovias”, diz Sindarma sobre gargalos do setor na TranspoAmazônia

Infraestrutura portuária ineficiente, ausência de hidrovias, pirataria e falta de integração entre os modais rodo-fluvial-aéreo. Estes foram os quatro principais gargalos no setor logístico e de transporte apresentados pelo Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma), em painel realizado na TranspoAmazônia 2026, em Manaus.

Com o tema “A Multimodalidade e seus Impactos no Polo Industrial de Manaus”, o presidente do Sindarma, Galdino Alencar Jr, ressaltou, em primeiro lugar, que apesar das várias bacias hidrográficas, o Amazonas possui apenas “rios navegáveis”.

“Nas hidrovias há planejamento, estudo e melhorias permanentes, como dragagens, que permitem a navegação o ano todo, ao contrário do que acontece nos nossos rios, onde as estações climáticas e ambientais determinam quando e onde será possível passar”.

Sobre a falta de infraestrutura portuária, o dirigente foi enfático ao afirmar que na grande maioria dos municípios do interior do estado, os transportadores que abastecem, via balsas, as localidades com produtos de primeira necessidade como combustível e alimentos, tem que buscar meios próprios para superar as dificuldades, com experiência e criatividade.

“Quando as pessoas encontram um hospital funcionando no interior, ou a luz acesa em uma comunidade ribeirinha, é porque alguém levou combustível para a usina funcionar lá. Mas poderia ser eficiente e mais econômico para sociedade se tivéssemos portos em condições mínimas. Nos meses de seca, por exemplo, são realizadas verdadeiras operações para tirar o combustível de uma balsa, para levar a terra firme”.

PIRATARIA E BR-319
Outro ponto abordado por Galdino Alencar em sua apresentação foi a questão da segurança e da pirataria, na qual ele voltou a lembrar a atuação do Sindarma nos últimos anos para assegurar que as transportadoras pudessem contratar escoltas armadas para acompanhar as embarcações, principalmente de derivados de petróleo, em suas rotas.

“Chegamos no ponto que as seguradoras se recusaram a renovar os contratos para distâncias maiores. Hoje são as empresas que estão arcando, com recursos próprios, essas escoltas que reduziram o sucesso das quadrilhas, mas não acabaram com as tentativas que seguem diárias e em todos os lugares, até na frente de Manaus”, alertou Alencar.

Por fim, o dirigente do Sindarma defendeu ainda a retomada das obras e do uso da BR-319 (Manaus – Porto Velho) como um dos principais projetos para alavancar a economia e integrar os modais rodo-fluvial-aéreo na região.

Galdino acrescentou ainda que a reabertura da rodovia não vai gerar impactos para o transporte fluvial, uma vez que ambos são complementares. “Um ajuda e precisa do outro. Se o caminhão não chega, a balsa não sai e vice-versa. O mercado está em expansão em vários setores, do industrial ao agro, com grande potencial para gerar mais empregos, renda e movimentar a sociedade”.

Para mais informações sobre o Sindarma acesse www.sindarma.org.br e @sindarma_am (Instagram).

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